Nov 28, 2019

Estágio Curricular X Estágio Extracurricular

Qual a diferença entre estágio curricular e extra-curricular?
Recebo algum auxílio?
Conta como carga horária?

Essas perguntas serão respondidas nesse post.

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Primeiramente, em nosso curso há um estágio obrigatório para poder se formar.
Esse estágio é o curricular obrigatório, ou seja, é uma disciplina do curso. Por ser uma cadeira constante da grade curricular, tem o mesmo peso de uma disciplina normal, como hematologia, TCC, etc. 

Se você estuda numa instituição pública ou é bolsista em numa privada, não irá receber por fazer esse estágio, apenas vai cumprir a carga horária exigida. Entretanto se você paga mensalidades em seu curso, certamente estará pagando para fazer o estágio. Lembre-se que é uma disciplina da grade curricular como outra.

E o estágio extra-curricular? Essa modalidade é destinada a quem tem a oportunidade e aprender, na prática, em uma empresa, instituição pública, entre outros. É como um trabalho normal, você assina um contrato e faz o estágio por um tempo determinado. Esse não está ligado a grade curricular do curso. É um extra para seu currículo.

E o salário? Em estágios extra-curriculares é comum ter um bolsa pois lida com um contrato formal entre a empresa, agente de integração, o estudante e a faculdade. O valor varia conforme o empregador. Geralmente em instituições públicas são razoáveis ou em alguns casos (ou muitos, não sei dizer) voluntário. O vínculo com a instituição é o ponto chave para seu currículo, seja remunerado ou não. Em empresas privadas a maioria dos estágios extra-curriculares são remunerados (acredito que todas ou 95%).

Já quanto a carga horária, os curriculares sempre contam pois são parte da disciplina Estágio obrigatório. Para os extra-curriculares é importante consulta sua instituição de ensino para saber se aceita ou não seu estágio. Às vezes o local de estágio tem convênio com a faculdade, sendo possível utilizar as horas, em outros casos não são possíveis. Vale a pena consultar a coordenação de estágio de sua faculdade.

Espero que suas expectativas sobre essas perguntas tenham sido atendidas.
Até a próxima!







Fonte: 

Estágio Supervisionado - Portal do MEC - Legislação sobre o estágio curricular obrigatório
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pceb35_03.pdf

Lei do estágio - Encontrada no site de uma agência de integração empresa/escola
http://www.escolas.ciee.org.br/portal/empresas/documentos/noval_lei_de%20estagio.pdf

Imagem usada nesse post
https://labaltanalise.com/service/analises-clinicas

Jul 27, 2019

Meu estágio na Hemostasia

     Em 2018, de março à dezembro estive no setor de coagulação de uma hemocentro e hospital de hematologia referência do estado em que eu moro. Foi um estágio extracurricular. Aprendi bastante tanto com os técnicos (me passaram todo trabalho manual e realização da rotina laboratorial do setor) quanto com a analista clínica do setor (tivemos muitas conversas científicas em que discutíamos os métodos, as doenças, artigos científico). Agradeço também ao analista clínico da tarde que trabalha com o diagnóstico de hemofilia e das trombofilias, eu pude acompanha poucas vezes, mas produtivamente a rotina da tarde. 
     Os exames que realizamos por lá eram divididos em rotina e não rotina.

Rotina: Eram os exames realizados na hora em que chegavam as amostras.

Dosagem de fibrinogênio
TP - Tempo de protrombina
TTPA - Tempo de tromboplastina parcialmente ativada
TT - Tempo de trombina
DD - D-dímeros
Agregação plaquetária - haviam dois dias na semana que este exame era realizado.



Não rotina: Os que eram realizados posteriormente, esses eram guardados à 80º negativos.
(Vale ressaltar que alguns desses eram realizados em dias específicos pela manhã e os mais comuns sempre à tarde pois esse horário era totalmente dedicado para dosagens desses fatores)

Dosagem de fatores da coagulação: VIII e IX eram os mais comuns. Demais fatores: II, V, VII, X, XI, XII e XIII.
Inibidores de fatores VIII e IX.
Dosagens de protéinas: C e S.
Dosagem de Antitrombina
Anticoagulante lúpico - O teste Teste do Veneno de Víbora de Russel Diluído (TVVRD).
Dosagem do antígeno do fator de Von Willebrand
Atividade do fator de Von Willebrand

O exame que mais chamou minha atenção foi o diagnóstico da doença de Von Willebrand.
Dosagem de antígeno e da atividade do fator Von Willebrand, e também da agregação plaquetária.

Eletroforese de Proteínas Séricas

     É uma método de separação das proteínas plasmáticas em frações (bandas). Utiliza-se um meio sólido e uma carga elétrica aplicada para que essas proteínas percorram pelo meio. Ao fim, temos a separação das banda que podem ser medidas por um aparelho que fornecerá um gráfico onde podemos "identificar" algumas patologias pelo aumento ou diminuição dessas bandas.


(Um detalhe importante é que pode ser feito eletroforese de proteínas de outros materiais além do soro, porém os resultados obtidos são distintos e com outros objetivos a serem estudados)

     No soro temos as seguintes bandas:

Albumina
α1: alfa-1-globulina
α2: alfa-2-globulina
β: betaglobulina
γ: gamaglobulina


     É bastante útil nas investigações de gamopatias monoclonais, doenças linfoproliferativas, mieloma múltiplo, amiloidose e macroglobulinemia de Waldenström.

Para saber mais sobre cada doença a partir dos valores alterados de cada fração, sugiro que leio o artigo que está nas referências ao final do texto.

Abaixo temos o padrão eletroforético à esquerda e o resultado final expresso em um gráfico à direita.





Fonte: http://rmmg.org/artigo/detalhes/520 acessado em 27/07/2019.


Para o fechamento do exame precisamos do valor das proteínas totais (PT) pois é feito uma cálculo que dará a porcentagem de cada banda baseado no valor das PTs.

E também temos a relação albumina/globulinas ao dividirmos o valor da albumina pelas globulinas.

(Se você subtrair a albumina das proteínas totais encontrará o valor das globulinas para o cálculo) 


Valores de referência (lembrando que pode variar um pouco dependendo do laboratório):


Proteínas Totais: 6,4 a 8,3 g/dL


Albumina: 4,01 a 4,78 g/dL 55,8 a 66,1%

Alfa-1 Globulina: 0,22 a 0,41 g/dL 2,9 a 4,9 %

Alfa-2 Globulina: 0,58 a 0,92 g/dL 7,1 a 11,8%

Beta-1 Globulina: 0,36 a 0,52 g/dL 4,9 a 7,2 %

Beta-2 Globulina: 0,22 a 0,45 g/dL 3,1 a 6,1 %

Gama Globulina: 0,75 a 1,32 g/dL 11,1 a 18,8%


Relação Albumina/Globulinas: 0,80 a 2,20



Referências:

Artigo: http://rmmg.org/artigo/detalhes/520  acessado em 27/07/2019


Jul 20, 2019

Hemofilia

O que é hemofilia???

     É uma doença hereditária ocasionada pela deficiência dos fatores VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B). Cerca de 85% dos casos A, enquanto 15% B aproximadamente. É quase exclusivamente masculina, pois o gene que codifica esses fatores estão localizados no cromossomo X. Dessa forma, a mulher pode ser portadora ou afetada, entretanto, homens serão sempre afetados.
     A clínica é bem comum entre os dois tipos: hemartroses (sangramentos intra-articulares), hemorragia muscular, comprometimento das articulações podendo posteriormente ocorrer lesões ósseas. Os pacientes sentem dores e dificuldade em realizar movimentos pelo comprometimento das articulações que geralmente são: joelho, cotovelo e tornozelo.
     O diagnóstico laboratorial se faz pela dosagem do nível de fator VIII ou IX circulante no sangue classificando a hemofilia como: grave (>5 a 40%), moderada (1 a 5%) ou leve (< 1%).
     O tratamento se faz com a administração de concentrados do fator deficiente. Em muitos casos, há o desenvolvimento de anticorpos contra o fator exógeno administrado. Chamamos de inibidor de fator VIII ou IX. Tem-se feito estudos para tratar os pacientes que desenvolvem inibidores, para que possam receber o tratamento de forma eficiente.


Segue abaixo alguns links para saber mais sobre a hemofilia:
Nova Forma de Tratar Hemofilia - Paciente com inibidores

World Federation of Hemophilia

ABRAPHEM - Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia


Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual de diagnóstico laboratorial das coagulopatias hereditárias e plaquetopatias / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Coordenação Geral de Sangue e hemoderivados. Brasília : Ministério da Saúde, 2012.



Mar 2, 2019

Doença de Von Willebrand

      Uma família com histórico de sangramentos e que era comum acometer mulheres despertou o interesse de um médico, dr. Erik von Willebrand. Como a maioria sabia, a hemofilia (deficiência de um fator da coagulação, sendo o Fator VIII mais comum) era bastante rara em mulheres e quase que exclusiva em homens. Foi quando descobriu que uma proteína, em ausência ou diminuída, nas pessoas afetadas era a chave para a causa dessa doença. Ele chamou de fator von Willebrand (VWF). Essa proteína é produzida pelas células endoteliais e plaquetas. Auxiliam na adesão das plaquetas ao colágeno exposto no subendotélio lesado e também na agregação plaqueta-plaqueta. Não somente isso, ele também protege o Fator VIII da coagulação, garantindo que o mesmo permaneça por mais tempo na corrente sanguínea pois em sua ausência há uma degradação mais rápida por proteases.
     A doença de von Willebrand (VWD) é a doença hemorrágica hereditária mais comum. Tendo prevalência de quase 1% da população geral e pode ser dividida em três tipos com subtipos. 

     Os tipos 1 e 3 se refere a defeitos na quantidade do VWF, com tipo 1 tendo quantidade parcial do fator enquanto o 3 tem uma  deficiência mais severa, podendo chegar a ausência total. O tipo 2 consta com defeitos qualitativos e pode ser subdivididos nos subtipos 2A,  2B, 2M e 2N.


      Temos os seguintes exames que podem ser solicitados para o diagnóstico da doença:
TS - Tempo de sangramento
VWF:Ag - Dosagem do Fator Von Willebrand Antígeno
VWF:activity - Atividade do Fator Von Willebrand
FVIII:C - Dosagem do Fator VIII
VWF:RCo - Atividade de co-fator de ristocetina
Agregação com ristocetina - Agregação plaquetária usando a Ristocetina como agonista.
VWF:FVIIIB - capacidade de ligação do VWF com o fator VIII
Multímeros - Análises dos multímeros.

     A tabela abaixo descreve os resultados laboratoriais dos tipos da VWD:
Fonte: http://www.fleury.com.br/medicos/educacao-medica/manuais/manual-hematologia/pages/doenca-de-von-willebrand acessado em 02/03/2019
N = valor normal
 = valor abaixo do normal
 = valor acima do normal
ND= não detectável

      Na Federação Mundial de Hemofilia (WFH) você encontrará informações sobre a doença, estatísticas e muito mais. (em inglês)
Página que fala a certa da doença nesse site da WFH.
No site Hemominas

Referências:
Rodeghiero F, Castaman G, Dini E. Epidemiological investigation of the prevalence of von Willebrand's disease. Blood. 1987; 69(2): 454-9.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada.Manual de diagnóstico e tratamento da doença de von Willebrand / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2008.
http://www.fleury.com.br/medicos/educacao-medica/manuais/manual-hematologia/pages/doenca-de-von-willebrand acessado em 02/03/2019
Federici AB, Bucciarelli P, Castaman G. et al. Management of inherited von Willebrand disease in Italy: results from the retrospective study on 1234 patients. Semin Thromb Hemost 2011; 37: 511-521.