Jul 27, 2019

Meu estágio na Hemostasia

     Em 2018, de março à dezembro estive no setor de coagulação de uma hemocentro e hospital de hematologia referência do estado em que eu moro. Foi um estágio extracurricular. Aprendi bastante tanto com os técnicos (me passaram todo trabalho manual e realização da rotina laboratorial do setor) quanto com a analista clínica do setor (tivemos muitas conversas científicas em que discutíamos os métodos, as doenças, artigos científico). Agradeço também ao analista clínico da tarde que trabalha com o diagnóstico de hemofilia e das trombofilias, eu pude acompanha poucas vezes, mas produtivamente a rotina da tarde. 
     Os exames que realizamos por lá eram divididos em rotina e não rotina.

Rotina: Eram os exames realizados na hora em que chegavam as amostras.

Dosagem de fibrinogênio
TP - Tempo de protrombina
TTPA - Tempo de tromboplastina parcialmente ativada
TT - Tempo de trombina
DD - D-dímeros
Agregação plaquetária - haviam dois dias na semana que este exame era realizado.



Não rotina: Os que eram realizados posteriormente, esses eram guardados à 80º negativos.
(Vale ressaltar que alguns desses eram realizados em dias específicos pela manhã e os mais comuns sempre à tarde pois esse horário era totalmente dedicado para dosagens desses fatores)

Dosagem de fatores da coagulação: VIII e IX eram os mais comuns. Demais fatores: II, V, VII, X, XI, XII e XIII.
Inibidores de fatores VIII e IX.
Dosagens de protéinas: C e S.
Dosagem de Antitrombina
Anticoagulante lúpico - O teste Teste do Veneno de Víbora de Russel Diluído (TVVRD).
Dosagem do antígeno do fator de Von Willebrand
Atividade do fator de Von Willebrand

O exame que mais chamou minha atenção foi o diagnóstico da doença de Von Willebrand.
Dosagem de antígeno e da atividade do fator Von Willebrand, e também da agregação plaquetária.

Eletroforese de Proteínas Séricas

     É uma método de separação das proteínas plasmáticas em frações (bandas). Utiliza-se um meio sólido e uma carga elétrica aplicada para que essas proteínas percorram pelo meio. Ao fim, temos a separação das banda que podem ser medidas por um aparelho que fornecerá um gráfico onde podemos "identificar" algumas patologias pelo aumento ou diminuição dessas bandas.


(Um detalhe importante é que pode ser feito eletroforese de proteínas de outros materiais além do soro, porém os resultados obtidos são distintos e com outros objetivos a serem estudados)

     No soro temos as seguintes bandas:

Albumina
α1: alfa-1-globulina
α2: alfa-2-globulina
β: betaglobulina
γ: gamaglobulina


     É bastante útil nas investigações de gamopatias monoclonais, doenças linfoproliferativas, mieloma múltiplo, amiloidose e macroglobulinemia de Waldenström.

Para saber mais sobre cada doença a partir dos valores alterados de cada fração, sugiro que leio o artigo que está nas referências ao final do texto.

Abaixo temos o padrão eletroforético à esquerda e o resultado final expresso em um gráfico à direita.





Fonte: http://rmmg.org/artigo/detalhes/520 acessado em 27/07/2019.


Para o fechamento do exame precisamos do valor das proteínas totais (PT) pois é feito uma cálculo que dará a porcentagem de cada banda baseado no valor das PTs.

E também temos a relação albumina/globulinas ao dividirmos o valor da albumina pelas globulinas.

(Se você subtrair a albumina das proteínas totais encontrará o valor das globulinas para o cálculo) 


Valores de referência (lembrando que pode variar um pouco dependendo do laboratório):


Proteínas Totais: 6,4 a 8,3 g/dL


Albumina: 4,01 a 4,78 g/dL 55,8 a 66,1%

Alfa-1 Globulina: 0,22 a 0,41 g/dL 2,9 a 4,9 %

Alfa-2 Globulina: 0,58 a 0,92 g/dL 7,1 a 11,8%

Beta-1 Globulina: 0,36 a 0,52 g/dL 4,9 a 7,2 %

Beta-2 Globulina: 0,22 a 0,45 g/dL 3,1 a 6,1 %

Gama Globulina: 0,75 a 1,32 g/dL 11,1 a 18,8%


Relação Albumina/Globulinas: 0,80 a 2,20



Referências:

Artigo: http://rmmg.org/artigo/detalhes/520  acessado em 27/07/2019


Jul 20, 2019

Hemofilia

O que é hemofilia???

     É uma doença hereditária ocasionada pela deficiência dos fatores VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B). Cerca de 85% dos casos A, enquanto 15% B aproximadamente. É quase exclusivamente masculina, pois o gene que codifica esses fatores estão localizados no cromossomo X. Dessa forma, a mulher pode ser portadora ou afetada, entretanto, homens serão sempre afetados.
     A clínica é bem comum entre os dois tipos: hemartroses (sangramentos intra-articulares), hemorragia muscular, comprometimento das articulações podendo posteriormente ocorrer lesões ósseas. Os pacientes sentem dores e dificuldade em realizar movimentos pelo comprometimento das articulações que geralmente são: joelho, cotovelo e tornozelo.
     O diagnóstico laboratorial se faz pela dosagem do nível de fator VIII ou IX circulante no sangue classificando a hemofilia como: grave (>5 a 40%), moderada (1 a 5%) ou leve (< 1%).
     O tratamento se faz com a administração de concentrados do fator deficiente. Em muitos casos, há o desenvolvimento de anticorpos contra o fator exógeno administrado. Chamamos de inibidor de fator VIII ou IX. Tem-se feito estudos para tratar os pacientes que desenvolvem inibidores, para que possam receber o tratamento de forma eficiente.


Segue abaixo alguns links para saber mais sobre a hemofilia:
Nova Forma de Tratar Hemofilia - Paciente com inibidores

World Federation of Hemophilia

ABRAPHEM - Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia


Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual de diagnóstico laboratorial das coagulopatias hereditárias e plaquetopatias / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Coordenação Geral de Sangue e hemoderivados. Brasília : Ministério da Saúde, 2012.